sábado, 29 de setembro de 2007



Começando por uma margem... uma das tantas possíveis além das duas conhecidas. Sempre fui tímida e era muito difícil pra mim me mostrar, principalmente internamente e por isso ninguém lia meus textos... era mais que reservar-se, era querer esconder-se. Aqui vou transpor a barreira, vou atravessar o rio; e (me) mostrar de algum outro lado de alguma margem além. Textos autoralmente meus bem como alguns muitos de que me apropriei, fantasticamente internos. Todos trazem poesia, até os não-versados. Fique à vontade... provavelmente até mais que eu...
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“Não creias nos meus retratos,
nenhum deles me revela,
ai, não me julgues assim!
Minha cara verdadeira
fugiu às penas do corpo,
ficou isenta da vida.
Toda minha faceirice
e minha vaidade toda
estão na sonora face;
naquela que não foi vista
e que paira, levitando,
em meio a um mundo de cegos.
Os meus retratos são vários
e neles não terás nunca
o meu rosto de poesia.
Não olhes os meus retratos,
nem me suponhas em mim.”
Gilka Machado