sexta-feira, 5 de outubro de 2007
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
Tão assim...
Onde queres revólver sou coqueiro
e onde queres dinheiro sou paixão
Onde queres descanso sou desejo
Onde queres descanso sou desejo
e onde sou só desejo queres não
E onde não queres nada, nada falta,
E onde não queres nada, nada falta,
e onde voas bem alta eu sou o chão
E onde pisas no chão minha alma salta
E onde pisas no chão minha alma salta
e ganha liberdade na amplidão
Onde queres família sou maluco
e onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon sou Pernambuco
Onde queres Leblon sou Pernambuco
e onde queres eunuco, garanhão
E onde queres o sim e o não, talvez
E onde queres o sim e o não, talvez
onde vês eu não vislumbro razão
Onde queres o lobo eu sou o irmão
Onde queres o lobo eu sou o irmão
e onde queres cowboy eu sou chinês
Ah, bruta flor do querer
ah, bruta flor, bruta flor...
Onde queres o ato eu sou o espírito
e onde queres ternura eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
Onde queres o livre, decassílabo
e onde buscas o anjo eu sou mulher
Onde queres prazer sou o que dói
Onde queres prazer sou o que dói
e onde queres tortura, mansidão
Onde queres o lar, revolução
Onde queres o lar, revolução
e onde queres bandido eu sou o herói
Eu queria querer-te e amar o amor,
construírmos dulcíssima prisão
E encontrar a mais justa adequação
E encontrar a mais justa adequação
tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
Mas a vida é real e de viés
veja só que cilada o amor me armou
E te quero (e não queres como sou),
E te quero (e não queres como sou),
não te quero (e não queres) como és
Onde queres comício, flipper vídeo,
e onde queres romance, rock'n roll
Onde queres a lua eu sou o sol
Onde queres a lua eu sou o sol
onde a pura natura, o inceticídeo
E onde queres mistério eu sou a luz,
E onde queres mistério eu sou a luz,
onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
Onde queres quaresma, fevereiro
e onde queres coqueiro eu sou obus
O quereres e o estares sempre a fim
do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal,
Faz-me querer-te bem, querer-te mal,
bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
Infinitivamente pessoal
e eu querendo querer-te sem ter fim
E querendo te aprender o total
E querendo te aprender o total
do querer que há e do que não há em mim.
C. V. - O Quereres -.
Exatamente hoje
Chegou à casa

Escrevi há algum tempo... menos do que "poderia".
Não para relembrar ou viver numa eterna nostalgia, não!Apenas para registrar. Para as costas mais belas que já vi.
- Até a próxima vida, meu bem.
Chegou à casa
Elas brilham como o céu que via
Posso dizer que atéjá cheguei às estrelas
Mais!
Posso dizer que já as tive
Deslizando em minhas mãos
Ou minhas mãos deslizando nessa noite
Porque elas são negras e reluzentes
Pele quente, costas negras
Negras como aquele céu
E o céu: negro,negro como aquelas costas
Mas nunca tão quente quanto.
*eu mesma.
. Horas aqui, sem saber se deveria postar...
sábado, 29 de setembro de 2007

Começando por uma margem... uma das tantas possíveis além das duas conhecidas. Sempre fui tímida e era muito difícil pra mim me mostrar, principalmente internamente e por isso ninguém lia meus textos... era mais que reservar-se, era querer esconder-se. Aqui vou transpor a barreira, vou atravessar o rio; e (me) mostrar de algum outro lado de alguma margem além. Textos autoralmente meus bem como alguns muitos de que me apropriei, fantasticamente internos. Todos trazem poesia, até os não-versados. Fique à vontade... provavelmente até mais que eu...
.
“Não creias nos meus retratos,
nenhum deles me revela,
ai, não me julgues assim!
Minha cara verdadeira
fugiu às penas do corpo,
ficou isenta da vida.
Toda minha faceirice
e minha vaidade toda
estão na sonora face;
naquela que não foi vista
e que paira, levitando,
em meio a um mundo de cegos.
Os meus retratos são vários
e neles não terás nunca
o meu rosto de poesia.
Não olhes os meus retratos,
nem me suponhas em mim.”
Gilka Machado
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