segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Tão assim...




Onde queres revólver sou coqueiro
e onde queres dinheiro sou paixão
Onde queres descanso sou desejo
e onde sou só desejo queres não
E onde não queres nada, nada falta,
e onde voas bem alta eu sou o chão
E onde pisas no chão minha alma salta
e ganha liberdade na amplidão


Onde queres família sou maluco
e onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon sou Pernambuco
e onde queres eunuco, garanhão
E onde queres o sim e o não, talvez
onde vês eu não vislumbro razão
Onde queres o lobo eu sou o irmão
e onde queres cowboy eu sou chinês


Ah, bruta flor do querer
ah, bruta flor, bruta flor...


Onde queres o ato eu sou o espírito
e onde queres ternura eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
e onde buscas o anjo eu sou mulher
Onde queres prazer sou o que dói
e onde queres tortura, mansidão
Onde queres o lar, revolução
e onde queres bandido eu sou o herói
Eu queria querer-te e amar o amor,
construírmos dulcíssima prisão
E encontrar a mais justa adequação
tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
veja só que cilada o amor me armou
E te quero (e não queres como sou),
não te quero (e não queres) como és


Onde queres comício, flipper vídeo,
e onde queres romance, rock'n roll
Onde queres a lua eu sou o sol
onde a pura natura, o inceticídeo
E onde queres mistério eu sou a luz,
onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
e onde queres coqueiro eu sou obus


O quereres e o estares sempre a fim
do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal,
bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
e eu querendo querer-te sem ter fim
E querendo te aprender o total
do querer que há e do que não há em mim.






C. V. - O Quereres -.